Escrevi estes poemas, mas me dei conta de que eles podem não estar terminados ainda, bom... são experimentos, criações que não se terminaram, talvez porque quem os escreve não está, por completo, vivendo.
'HERANÇA'
Não consigo 'recortar' meus poemas.
Multilá-los não consigo.
Pode-se tirar de um ser o seu braço são e colocar outro no lugar?
Pode-se arrancar um olho e colocar outro sem que se cause danos e ninguém perceba?
Não posso tirar de meus poemas seus corações.
Eu, que já sou sem coração.
Não!
Eles não sobreviveriam.
Eu sobrevivo.
Pode um moribundo 'costurar' palavras e dar-lhes uma certa dose de lirismo?
Não posso 'atrofiar' meus poemas.
Eu, que já sou atrofiado.
Eles são eternos.
E eu, que morrerei logo, não deixarei nem livros, nem árvores, nem filhos.
Deixarei poemas,
Como quem deixa copos vazios sobre a mesa. *de: Patricia Alves Flores.
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A vida passou.
O carro passou.
E as nuvens estão passando.
A claridade da cidade que está de fora
reflete na minha janela.
A noite escura que desce do céu
sem estrelas.
A vida passou,
e eu passei sem ela.
Sem a esperança de tê-la,
enquanto vida.
Da janela eu vejo o trem quase de brinquedo
de tão pequeno,
suas pequenas janelas iluminadas.
Tenho duas pequenas janelas na face,
são negras.
Amanheceu.
A vida passou.
Um pássaro alegre e veloz passou,
cortando o ar com suas asas.
Amanheceu.
O dia parou.
A vida acabou. *de: Patricia Alves Flores.
3 commentaires:
Poemas maravilhosos, creio que seja os melhores que já li, Parabéns Paty.
teste
brinquei com suas palavras, tá ai!
eu olho de vidro:
cortar
um poema
pelo braço
os copos
vazios
pelo braço:
filtros:
o copo vazio pelo braço
do olho:
o trem
os pássaros
e se cai meu olho
em flash:
a cidade
a vida
.
poesia
é cisco
no olho.
o anonimo ali sou eu Flavia, nao tava logando, e continua não.bj
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