(...)
Todos estão dormindo.
As copas das árvores paradas
e a garoa fina e fria sacramenta o silêncio.
A cidade dorme
um sono que é dos inocentes
mas também dos impuros.
O barulho do vento que percorre ao longe
a rodovia vazia.
É o único barulho da cidade.
Pássaros noturnos rondam.
Tragáveis e inúmeras são as noites.
Ao longe, as luzes amareladas das ruas,
e as torres que píscam insistentemente
num céu onde não há mais estrelas.
Gosto da noite porque o dia me cansa,
o sol e sua insistência me irritam.
Gosto do silêncio.
O ar está leve depois da chuva grossa.
*autoria de: Patricia Alves Flores