Porque a primeira escrita a gente nunca esquece.

Amigos

vendredi, novembre 23, 2007

quem CONTO aumenta um ponto !!!

A BACHIANA DO CANIBAL


Era do elemento vivo que ele se nutria; a quentura e a vermelhidão das vísceras do animal agonizante tornavam a sua fria realidade algo forte e comovente. Teria que voltar para libertá-los, mas isto seria num outro momento.
Tinha andado por dias a procura de uma ajuda, conseguira fugir porém nãi tivera tempo de salvar os outros. O vermelho do sangue espalhava-se sobre a neve dando à esta vários tons do líquido ainda quente. Não se lembrava de quando fizera sua última refeição pois eles só alimentavam seus prisioneiros com caldos quentes salpicados por pedaços de algo que se parecia com batatas.
Um dia, parando o carro num destes lugares na beira da estrada aonde se vende de tudo, eles desceram pra comprar o de comer e o de beber, pois a viagem seria longa. Fizeram suas compras e deixaram o local satisfeitos, entraram no carro e pegaram a estrada novamente. Mais adiante um furgão, com três homens e uma mulher, estava parado no acostamento, pediram ajuda. Pararam e desceram, quando pra grande surpresa deles aquelas pessoas anunciaram um assalto e os colocaram pra dentro do veículo escuro. Rodaram durante horas pra depois trancafiá-los numa espécie de porão.
Havia uma rotina acompanhada por passos acima de nós, batidas de martelos e o caldo com batatas. Fazia frio. Não tínhamos a menor idéia do que nos acontecia ou aconteceria. Perguntaram à mulher o porquê de tudo aquilo. Tínhamos sido escolhidos, o Destino nos escolheu quando pegamos aquela estrada, foi o que ela disse.
Agora, ali, ele relembrava como o destino tinha sido generoso no momento de sua escapada. Procuraria ajuda? Prometera a seus companheiros.
Mas, num inverno rigoroso, andando sabe-se lá quanto tempo ele sentira fome e frio. O Destino, ou sei lá quem, tinha feito com que um caçador tivesse se cansado de sua presa e por sorte a deixara ali. Ele caíra sobre o animal agonizante feito um abutre.
De repente um barulho tirou-o de seu momento sublime, era o dono da caça que estava de volta, um lobo que voltara acompanhado do resto da matilha. Quando o percebeu, a matilha ruidosa estancou, para logo depois começar a se aproximar a passos lentos; diferentemente dele, aquele lobo caçador voltara para buscar os seus e alimentá-los.
Tinham nos olhares a ferocidade fria dos felinos e nos passos a maciez e a precisão dos predadores habilidosos, sua branquidão se misturava com a neve. Eles o cercaram, fazendo uma grande roda, e olhavam-no talvez com curiosidade, e talvez até com horror, de suas mãos e rosto vermelhos, banhados pelo sangue da vítima. O chefe da matilha era quem mais o encarava, seus olhos pareciam perguntar de onde ele viera e porque estava ali devorando seu alimento e dos seus parentes e amigos. Sem medo ele o encarava também.
Os outros lobos começaram a avançar, mas o ‘chefe’ emitiu um uivo, uma espécie de ‘comando’ que os fez parar. Ele, o ‘chefe’, se aproximou, mas não muito, daquele ser que ele, o lobo, não compreendia muito bem. O que estaria ele fazendo ali, naquela imensidão branca, sozinho, debruçado sobre sua caça, que lhe dera tanto trabalho pra alcançar?
Olhou nos seus olhos e mostrou-lhe os dentes para intimidá-lo, rosnou sua indignação de lobo afinal era sua, a caça. Ele, animal, rosnou para o lobo também, como nunca fizera antes, era a defesa de sua sobrevivência que falava mais alto naquele momento. O lobo deu mais um passo, sentou-se, uivou e o encarou de novo, os outros não se moveram. Ele, faminto, o encarou também, desta vez com mais ênfase e com os olhos arregalados rosnou com maior ferocidade, com raiva de sua própria situação, pra defender-se de sua fome, gritou com sua boca lavada de sangue, um grito que ecoou por todo o vale.
O ‘chefe’ não teve dúvida, levantou-se e retirou-se levando consigo a matilha, no fundo talvez compreendia aquela fome, que não era só de alimento, de carne, mas de vida.
Ele, triunfante, voltou-se para o cadáver e afundou-se em suas entranhas, quem sabe agora não era também ele um caçador. Voltaria para buscar os seus. Será?

da autoria de....Patricia Alves Flores.

vendredi, novembre 02, 2007


Solo Le Pido A Dios
Mercedes Sosa
Solo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente,
Que la reseca Muerte no me encuentre
Vacia y sola sin haber hecho lo suficiente.
Solo le pido a Dios
Que lo injusto no me sea indiferente,
Que no me abofeteen la otra mejilla
Después que una garra me araño esta suerte.
Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.
Solo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede mas que unos cuantos,
Que esos cuantos no lo olviden facilmente.
Solo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente,
Desahuciado esta el que tiene que marchar
A vivir una cultura diferente.

samedi, octobre 13, 2007

VALEU PAULO!!!!


Ontem a tarde o Brasil perdeu outro grande Ator, Paulo Autran deixa saudade e vários exemplos: o de amor à profissão, descência, bom caráter, talento!! Sem dúvida os grandes nomes do teatro mundial não poderiam ver suas personagens na pele de melhor representante, provavelmente se Shakespeare e Molière pudessem ver suas criações sendo vividas por este ator tão brilhante o aplaudiriam tal qual todos aqueles que puderam ver Paulo Autran no palco, de pé. Fica o Luto e os Aplausos pra esse homem que tão dignamente tratou da Arte de representar; num país de 'canastrões' que aniquilam toda e qualquer manifestação de Arte verdadeira empurrando goela abaixo do povo só as porcarias de sempre me resta lamentar e desejar à ele toda sorte onde quer que esteja, porque estamos cada vez mais órfãos de bons exemplos. Obrigada Paulo, por nos brindar com todo o seu talento!!Pra ti, todo o nosso carinho e o mais caloroso aplauso, porque vc merece!!!!Valeu Paulo!!!

samedi, septembre 01, 2007

dimanche, août 26, 2007

Depois de muito tempo...

Volto pra deixar aqui meus pensamentos....de saudade!!!!

I’m Here!
Me escuta!
Ela vai embora,
Talvez para sempre.
Bye! Eu diria...
Mas não digo.
Não consigo.
Não há como reconstruir o que nunca existiu.
Não há ponte para alcançar o Ideal.
Ela vai embora pra sempre,
Insistindo em ficar na memória.
Maldita lembrança de dias mornos!
Com a ponte firme e fina de um punhal abro fendas em mim,
Para que as feridas de dentro sejam expostas.
Sou uma ferida viva, aberta, plena, perfeita,
Em sangue, dor, amargura, ódio!
Eu me ofereço em sacrifício:
“Matem-me pelo amor de Deus!”
ou por amor a Deus...
Ela vai embora...
E eu? Eu ardo em dor e sangue
vermelhos.
Desenho em mim a dor do ‘não ter’, com a lâmina fina e fria.
Ainda sou a ferida viva, ardente, perfeita.
Ela foi embora.
E eu?...
I’m Here!

samedi, juin 09, 2007

Isto não é um poema!

Desgaste emocional,
de uma pedra que sempre será pedra,
está fadada a isto!
Sol, chuva, terra, companheiros de sempre,
Nunca um pássaro!
Vontade de voar!
Tristesse!!
Desistence!!
Mourir!!

samedi, février 24, 2007

Depois de muito tempo sem postar devido as férias e muitos passeios (graças a Deus!) eu venho aqui fazer justiça a quem merece realmente ser chamada de Poeta. Ela escreve há muito tempo e eu que sempre admirei seus poemas em forma e conteúdo deixo abaixo o poema que ela me deu (eu acho rsrsrs) como um presente, pois foi assim que o recebi. Da minha Poeta Flávia:

"brinquei com suas palavras, tá ai!


eu olho de vidro:

cortar
um poema
pelo braço

os copos
vazios
pelo braço:

filtros:
o copo vazio pelo braço

do olho:

o trem
os pássaros

e se cai meu olho

em flash:

a cidade
a vida

.

poesia
é cisco
no olho." AUTORIA DE: FLÁVIA SANTOS.

mardi, janvier 23, 2007

POEMAS EM EXPERIMENTAÇÃO

Escrevi estes poemas, mas me dei conta de que eles podem não estar terminados ainda, bom... são experimentos, criações que não se terminaram, talvez porque quem os escreve não está, por completo, vivendo.

'HERANÇA'

Não consigo 'recortar' meus poemas.
Multilá-los não consigo.
Pode-se tirar de um ser o seu braço são e colocar outro no lugar?
Pode-se arrancar um olho e colocar outro sem que se cause danos e ninguém perceba?
Não posso tirar de meus poemas seus corações.
Eu, que já sou sem coração.
Não!
Eles não sobreviveriam.
Eu sobrevivo.
Pode um moribundo 'costurar' palavras e dar-lhes uma certa dose de lirismo?
Não posso 'atrofiar' meus poemas.
Eu, que já sou atrofiado.
Eles são eternos.
E eu, que morrerei logo, não deixarei nem livros, nem árvores, nem filhos.
Deixarei poemas,
Como quem deixa copos vazios sobre a mesa. *de: Patricia Alves Flores.

*******************************************************************
A vida passou.
O carro passou.
E as nuvens estão passando.
A claridade da cidade que está de fora
reflete na minha janela.
A noite escura que desce do céu
sem estrelas.
A vida passou,
e eu passei sem ela.
Sem a esperança de tê-la,
enquanto vida.
Da janela eu vejo o trem quase de brinquedo
de tão pequeno,
suas pequenas janelas iluminadas.
Tenho duas pequenas janelas na face,
são negras.
Amanheceu.
A vida passou.
Um pássaro alegre e veloz passou,
cortando o ar com suas asas.
Amanheceu.
O dia parou.
A vida acabou. *de: Patricia Alves Flores.

vendredi, janvier 19, 2007

Bem Aventurado


Bem Aventurado...

é aquele que não...

condena a si mesmo...


... naquilo que aprova.

samedi, janvier 13, 2007



QUANDO SERÁ QUE ESTAMOS PRONTOS?

DAR UM PASSO, SEM ERRAR E SEM MEDO DO ERRO.

CONTEMPLANDO DA JANELA O PÁSSARO QUE VOA AQUI...ALI...DISPLICENTE...

E EU AQUI PRESO! COM MEDO DE DAR APENAS UM PASSO...

Miedo (trecho da música que se encontra no cd: Lenine acústico MTV)
Lenine
Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

Medo de olhar no fundo

Medo de dobrar a esquina

Medo de ficar no escuro

De passar em branco, de cruzar a linha

Medo de se achar sozinho

De perder a rédea, a pose e o prumo

Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão

O medo circulando nas veias

Ou em rota de colisão

O medo é do Deus ou do demo

É ordem ou é confusão

O medo é medonho, o medo domina

O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara, medo de encarar

Medo de calar a boca, medo de escutar

Medo de passar a perna, medo de cair

Medo de fazer de conta, medo de dormir

Medo de se arrepender, medo de deixar por fazer

Medo de se amargurar pelo que não se fez

Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H

Medo de morrer na praia depois de beber o mar

Medo... que dá medo do medo que dá

vendredi, janvier 05, 2007

A POESIA DE MAIAKÓVSKI (POETA RUSSO) É SIMPLESMENTE ARDENTE, ENCANTADORA, FORTEMENTE VIVA:

TU

Entraste.
A sério, olhaste a estatura, o bramido e simplesmente adivinhaste: uma criança.
Tomaste, arrancaste-me o coração e simplesmente foste com ele jogar
como uma menina com sua bola.
E todas, como se vissem um milagre, senhoras e senhorias exclamaram: - A esse amá-lo?
Se se atira em cima, derruba a gente!
Ela, com certeza, é domadora!
Por certo, saiu duma jaula!
E eu júbilo esqueci o julgo.
Louco de alegria saltava como em casamento de índio, tão leve, tão bem me sentia.