Porque a primeira escrita a gente nunca esquece.

Amigos

samedi, août 26, 2006



Como não posso ficar feliz com notícias boas que me chegam do outro lado do planeta, minha querida Biju não manda só notícias mas também suas fotos, as fotos de alguém que tem olhar apurado e poético sobre o mundo a sua volta, é... a foto é by: Patrícia Sanches, minha fotógrafa preferida, pra saudar tão esplendorosa companhia, nem que seja do outro lado do mundo eu deixo aqui um poema de Augusto do Anjos, adiantando a primavera:

Primavera

A meu irmão Odilon dos Anjos

Primavera gentil dos meus amores,

- Arca cerúlea de ilusões etéreas,

Chova-te o Céu cintilações sidéreas

E a terra chova no teu seio flores!

Esplende, Primavera, os teus fulgores,

Na auréola azul dos dias teus risonhos,

Tu que sorveste o fel das minhas dores

E me trouxeste o néctar dos teus sonhos!

Cedo virá, porém, o triste outono,

Os dias voltarão a ser tristonhos

E tu hás de dormir o eterno sono,

Num sepulcro de rosas e de flores,

Arca sagrada de cerúleos sonhos,

Primavera gentil dos meus amores!

lundi, août 14, 2006


Me perguto quase sempre se todo poeta já nasce com a poesia dentro de si, será que seria possível, um dia, chegarmos a tal conclusão com direito a pesquisa científica e tudo o mais? Provaríamos este verdadeiro enigma? Bom se a resposta for positiva então tivemos muita poesia nascendo por aí, e pra nossa sorte muita poesia boa. Seria engraçado chamamrmos estas crianças (sim, porque um dia eles, os poetas, já foram crianças) de poesia; já pensou? Poesia Manuel Bandeira, Poesia Mário de Andrade, Poesia Hilda Hilst, etc...etc...etc... Deixo aqui a minha homenagem ,ainda que tardia, ao Poesia Mário Quintana, pelo centenário de seu nascimento (30/07/2006) e um poema que eu adoro:

Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho! (Prosa e Verso, 1978)

E por falar em poetas deixo aqui também o poema de Manuel Bandeira em homenagem à Mário Quintana (a "brincadeira" de Manuel com o sobrenome do poeta é maravilhoso):

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.
(Manuel Bandeira)

lundi, août 07, 2006



Abro um espaço pra comemorações, hoje aniversário de um dos colaboradores deste blog, Ana Polí Parabéns!!!E te dou de presente um poema de um de seus poetas preferidos, Drummond:

Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.